Apartamento 1307
Condomínio Residencial do Devir,
Rua Srª Serpente do Paraíso de Pecado do Autoconhecimento,
Bairro Atenas.
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Para me visitar,
Pegue um eletrotáxi da rádio neuronal.
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Te deixará no epicentro,
Cumeeira da gasosa residência.
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Não demore.
Poderá aperceber-se da fluidez da matéria
E liquidificar-se em existência.
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P.S.: CUIDADO, dói.
Dói chegar ao lampejo do seu lar.
Minha morada é a mente
Resposta à uma amiga: "como vc tá?"
com a maré...
e dopado demais para escrever:
tarjas pretas na cabeçã
e vermelhas no peito...
pois a dor pulsa no ritmo do meu coração
latejando do pé
a cabeça
e sem muita vizão de futuro
que não seja,
ao menos amor
amor
num frasco-carne de novidades constantes
e choros
em coros
corais
de bençãos atracando minha vida
numa
pequena atol de maravilhas nascentes
ao,
menos, amor
amor
mesmo
pequena a frente das lamurias doloridas
há felicidade na tristeza, no sofrimento...
uma felicidade crescente aos dias, semanas, anos...
numa fração de tempo quase imperceptivel
centimetros que passam num piscar
ao revelar
ao
menos, amor!
Poliedro
Nasce em qual quer terreno
Do mais impróprio
Ao mais fértil
Ele germina
(regado bem cuidado acarinhado aninhado…)
Ele cresce
Fortalece
Floresce
Ramifica
Frutifica
Reramifica
…
Vertente vortice de tangentes
Ou em paralelas retas
Ou em cartesianas vidas
Ou em sentimentos convergentes
Ou em parábolas divergentes
Crescente decrescente ou apenas retilíneo
É plano
Analítico
Espacial
De geométrica difícil
Um mais um nem sempre são dois
Podem ser três
Quatro
Ou n
Uma equação em inequações
Uma inequação em equações
Exatas inexatas deterninadas indeterminadas
Ou simplesmente sem resposta
…
Não tem separação de eus
Egos
Ou superegos
Uma mistura consciente ou inconsciente
De consciências subconsciências e inconsciências
…
Nem formulas
Tampouco regras
Nem teorias
São teoremas em poemas
Matemática pura em poesias
Amor prismas filosofias(ais)
A cadeira vazia
À casa, outrora, erguida em risos
altos risos altos
vozes elevadas em discordâncias
paredes pintadas de causos de infâncias
assoalho plano pleno de estorias de pescador...
...resta a cabeceira da mesa deserta
num árido clima de despedida
Aos olhos, unidos ungidos em lágrimas,
lentes escuras, num afã de esconder-se do sol intenso da saudade
oásis, oásis perene de rios de desalento
Ao peito, seco ar cortante de lembranças
humanas em acertos, mais humanas em erros
um nó tão denso e real, que nem parece miragem,
amarrando o presente, ao passado e ao futuro
Ao passo que passa o passatempo do tempo
cruzadas, damas, futebol, musicas e um pandeiro
seguem em algum lugar do tempo
zanzando naquela sala
entre o banco e a cadeira
(a derradeira cadeira, já vazia)
Num ultimo apelo, vejo-te
numa vazia cadeira
com o ventilador rebelando teus brancos...
...
A saudade é sede
em um beduíno perdido no deserto
...
A dor é ver o lar
A mesa
A sala
A cadeira solitária
Vazia.
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