Melisma de Ant(^)onio

Não há erro,
nem acerto.
Você me acentua,
talvez eu mereça acento.
Talvez precise de um teto,
para não viver nas estrelas.

Talvez precise de uma âncora...
...um circo, um flexo...
Um reflexo
de algo
que não sei quem sou,
Já que sou,
também,
o que os outros vêm.

Sou só isso.
Mas isso,
são tantos...
Mas sou só.

Ode à Dama da Noite

Quando beijas minha pele
Oh musa de meu espírito livre!
Entro em nirvana, cachoeira de gozo,
Ejaculo palavras em frenesi esquizofrênico.
Uivando a ti versos astrais.

Minha morada é a mente

Apartamento 1307
Condomínio Residencial do Devir,
Rua Srª Serpente do Paraíso de Pecado do Autoconhecimento,
Bairro Atenas.
.
.
.
Para me visitar,
Pegue um eletrotáxi da rádio neuronal.
.
.
.
Te deixará no epicentro,
Cumeeira da gasosa residência.
.
.
.
Não demore.
Poderá aperceber-se da fluidez da matéria
E liquidificar-se em existência.
.
.
.
P.S.: CUIDADO, dói.
Dói chegar ao lampejo do seu lar.

Resposta à uma amiga: "como vc tá?"


com a maré...
e dopado demais para escrever:
tarjas pretas na cabeçã
e vermelhas no peito...
pois a dor pulsa no ritmo do meu coração
latejando do pé
a cabeça
e sem muita vizão de futuro
que não seja,
ao menos amor
amor

num  frasco-carne de novidades constantes
e choros em coros
corais de bençãos atracando minha vida
numa pequena atol de maravilhas nascentes
ao, menos, amor
amor

mesmo pequena a frente das lamurias doloridas
há felicidade na tristeza, no sofrimento...
uma felicidade crescente aos dias, semanas, anos...
numa fração de tempo quase imperceptivel
centimetros que passam num piscar
ao revelar
ao menos, amor!