Por hora ora, ação de oração de te ver Amor

O Amor nasce hoje
ou amanhã
mas nasce

De uma semente
quatro milimetros
cujo um coração já pulsava
nasce um ser
o Amor
mesmo pequenina
o Amor
em forma de menina

...

Hachi um oito
8, simbolo do infinito
uma conexão entre o céu
e a terra
e nada mais infinito
que o Amor
que o nascimento
de Rachel
que carrega
na raiz do seu nome
essa ligação acestral
um Amor que transcende
a situação humana carnal
beira o espaço do divino
é eterno no infinito

...

Vens no seu tempo
seu tempo é agora
nem ontem
nem amanhã
é hoje
no presente do agora
embrulhada em sangue
vem humana
vem menina
vejo o Amor
fora de mim
e tão conectado ao meu intimo
que me confundo
sou mortal ou infinito?

...

Medroso num processo
doloroso
debulho minha angustia
trago intragavel ansia
de te ver saúde
de te ver saudavel
bem ao lado de tua mãe
em igual estado

Antecipo a lágrima feliz
de ter-te em meus braços
sorrindo
chorando
ansiando o leite
que te nutre
e nutrindo-me
com o leite condensado do seu franco sorriso.

Retalhos de lembranças

Dois dias passados
uma dor antiga
da perda de um amor
fez-se presente
em pequenos retalhos
formaram uma colcha de lembranças
um calor de saudade

Entregue em mãos
um pequenino embrulho
numa caixa velha
antes de abrir
a luz que emanava
dessa caixa fechada
abria portas numa mente
já cansada

Aberta
fez-se jóia revelada
luzente de ouro
ponteiros de uma saudade
de uma infancia desmedida
e bem vivida.

Como rodasse ao contrario
num lapso atemporal
dentro de um piscar d'olhos
voltei na conversa
de sinceridade cruel
da pueril idade
onde o interesse de um presente
era maior
que a presença do presenteador
... coisas de criança

Num lapso atemporal
de um suspiro denso
culposo
um salto a diante
nuns anos amais
com a consciência defronte
a perda com a morte
mais ainda carregado
em ingenuidade pueril
quis imortaliza-la
em artista de cinema
em atriz de televisão

Os ponteiros dourados
adiataram até a hora presente
numa volta da recordação
em lagrimas tristes
em lagrimas alegres
saudade e emoção
um pedacinho de mim
tão perdido
e esquecido em gavetas neuronais
fez-se vívido

Achei-me
em ti
com outros retalhos de recordações
em colas, folhas, flores
caras de porcelanas
tecidos coloridos
fitas, filós, tintas,
pincéis, moldes e alfinetes
a senhora
nossas tardes divididas
nossos risos
nossas brigas
nosso carinho
nosso amor
fez-se presente
em retalhos
fez-se colcha
e aqueceu esse vazio
que ainda arde
e muito vai arder
nessa perda
nessa saudade.

Foi apenas um sonho infantil

O amor pareceu-me concreto
palpável
tangível
olfativo
gustativo

Abriu-me a porta da liberdade
soltou-me as amarras
dos papéis sociais
das mascaras forçadas
das tristezas mascaradas
da beleza muda

O amor tirou-me o chão
das noites insones
dos tédios pesados
das ansias trancadas
dos suores aflitos
dos pavores arregalados
em apartamentos apertados

Encheu-me o peito de ar
fez-me perceber vivo
auscutou-me a respiração
pos-me a pé na estrada da loucura
senti meu coração vivo
ouvi minha respiração tranquila
saborei o gosto da chuva
do orvalho acordado em minha boca pela sua
degustei o odor madrigal da transpiração da flora
vi a vida de verdade
eu estava Liberto
da escravidão cotidiana dos ponteiros
patrões ingratos
do açoite mínimo mensal
do feitiche iludido
do ter por ter
do acumulo por acumulo
Liberto
eu estava Liberto
da condição de lutar
por status
por reconhecimento
pela honra
Liberto de ter que ser
o que querem que eu seja

...

O orvalho viajava
pelo ar
tal pluma desgarrada
ao canto do sabiá
adentrando sem cerimonias
meu sono tranquilo
junto a quintura rajada
suspensa
raiada em minha pele
no alvorecer de mais um dia

Junto ao orvalho
e aos primeiros raios de sol
o café quente
desfilando numa sala simples
com frutas expostas
colhidas na hora
na humildade de nossa pequena horta

Você, meu Amor,
rubrou-me o rosto
tocou-me o amago do sentimento
com um sorriso matinal
levemente lacteo ao canto da boca
agradecida de ter posto-te o desejum
retribui-la com o beijo do silêncio
silêncio da reciprocidade
da cumplicidade
do companheirismo
da simplicidade de uma vida de verdade

...

Como quem cai de uma rede
abriu-me os olhos
a queda brusca
da volta à realidade
busquei-te em volta
não achei-te
encontrei-te na lembrança amarga
de um não acompanhado de: - "Egoísta!..."
e vir-me então
maduro acordado
numa sala vazia
com paredes frias
de um tédio crescente
com lágrimas solitárias
da perda da alegria
e de um amor ausente.

Dialogo a um Concerto para alma

As almas não estão
quebradas
quiçá quebradiças
não necessitam de sermão
nem de ladainha
prantos e lamentos

As almas não carecem de mecânicos
nem marceneiros
nem encanadores
tampouco eletricistas

As almas não rumam
sem norte
sem prumo
nem ao léu
sem vela nem motores

Às almas, chará,
basta o aguçar dos timpanos
ouvir sentir dançar
sentir dançar ouvir
ouvir dançar sentir
dançar sentir ouvir
dançar ouvir sentir
sentir ouvir dançar
seus acordes
suas melodias
suas tristezas
suas melancolias
suas belezas
sua orquestrada harmonia

Às almas cabem
a permissão
de maestrar
sua propria sinfonia